Início CURIOSIDADE ‘Nem contigo, nem sem ti.’ Estou numa relação tóxica, e agora?

‘Nem contigo, nem sem ti.’ Estou numa relação tóxica, e agora?

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Como fechar o ciclo de toxicidade? Onde procurar ajuda? A psicóloga Carolina de Freitas Nunes, diretora clínica da CogniLAB, esclarece estas e outras questões em entrevista ao Lifestyle ao Minuto.

Além de agressões físicas, ofensas e ameaças, também a manipulação pode constituir uma situação de alerta e apontar para um relacionamento tóxico mascarado de muitas facetas. Contudo, o facto de existir “um ciclo do abuso com momentos de carinho intercalados com violência” faz com que muitas vítimas acabem por conformar-se com uma relação a ‘prestações’ e prefiram estar mal acompanhadas do que sós, como explica a psicóloga Carolina de Freitas Nunes.

“A solidão é um dos principais motivos que fazem alguém voltar para um parceiro tóxico”, afirma em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, a propósito do Dia de Luto Nacional pelas Vítimas de Violência Doméstica, que se assinala esta sexta-feira, 7 de março. Rejeitando a ideia de que todas as relações tóxicas resvalam para agressões físicas, a admite ainda que, “em muitos casos, o abuso emocional serve como um prelúdio para formas mais graves de violência”. “A deterioração progressiva do respeito e da segurança emocional aumenta significativamente esse risco”, alerta.

Antes de mais, o que é, no seu entender, uma relação saudável?

Uma relação saudável deve ser baseada em respeito mútuo, comunicação aberta, confiança e equilíbrio emocional. Ambos devem sentir-se livres para expressar os seus sentimentos e opiniões sem medo de julgamento ou retaliação. O apoio mútuo e a valorização individual são fundamentais, permitindo que cada um cresça sem controlo ou dependência excessiva.

Os limites saudáveis são respeitados e os conflitos resolvidos com diálogo e empatia, sem manipulação ou violência. O bem-estar emocional deve ser prioridade, promovendo uma conexão segura, harmoniosa e genuína. Uma relação saudável deve proporcionar segurança emocional, onde ambos se sintam valorizados e aceites. É essencial haver independência afetiva, permitindo que cada um tenha sua individualidade sem medo de perda ou rejeição.

Como é que se constrói esse vínculo?

Com confiança genuína, sem jogos emocionais ou necessidade de controlo. Os conflitos são naturais, mas devem ser resolvidos com empatia e cooperação, sem recorrer a manipulação ou agressividade. Outro fator importante é a reciprocidade. Ambos devem sentir-se amados e cuidados, sem que um lado se sobreponha ao outro. Uma relação saudável não exige perfeição, mas sim um esforço conjunto para crescer e fortalecer o vínculo de forma equilibrada e segura.

Os relatos de relações tóxicas são comuns na sua prática clínica?

Sim, tanto em relacionamentos amorosos como familiares e profissionais. Muitas vezes, os pacientes não se apercebem de imediato da toxicidade da relação, mas apresentam sinais de ansiedade, baixa autoestima e dependência emocional

Que leitura faz das relações tóxicas?

Relações tóxicas são aquelas que causam sofrimento emocional, perturbam a autoestima e geram dependência. Caracterizam-se por abuso emocional, manipulação, controlo e desequilíbrio.

Apesar de, hoje em dia, estarmos mais sensibilizados para esta realidade, muitas pessoas acabam por voltar para o parceiro, mesmo sabendo que não é o melhor para si. O que faz com que isso aconteça? Pode ser o medo da solidão?

A solidão é um dos principais motivos que fazem alguém voltar para um parceiro tóxico, mas não é o único. A dependência emocional, o ciclo do abuso com momentos de carinho intercalados com violência, a baixa autoestima, o medo do desconhecido, a culpa gerada pela manipulação, a pressão social, a idealização do parceiro e até experiências passadas com relações abusivas podem dificultar a rutura. Estes fatores criam um laço psicológico que ‘prende’ a pessoa e o impacto pode ser grave. Pode levar à ansiedade, como lhe dizia, mas também á depressão e gerar traumas.

Quando a toxicidade assume a forma de comportamentos, quais os mais flagrantes?

Controlo excessivo, manipulação emocional, críticas constantes, ciúmes, possessividade, desvalorização, chantagem, humilhação e isolamento são as principais atitudes comuns neste tipo de relação.

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